É caso para se dizer que o responsável da Etermar não leu o Estudo de Impacte Ambiental (EIA)! Até o EIA, apesar das suas falhas e contradições, apesar de ignorar e subavaliar impactes negativos e efabular pretensos impactes positivos numa descarada tentativa de marketing do projecto, até o EIA, dizíamos, assume que o número de visitantes será maior com o teleférico. A título de exemplo e sem pretender ser exaustiva:
“Em fase de exploração, o aumento do número de pessoas na zona levará…” pág. 13 do Resumo Não Técnico do EIA.
“A implantação desta nova estrutura potenciará uma maior afluência de pessoas, designadamente de turistas, …” pág. 23 do Resumo Não Técnico do EIA.
“Este teleférico visa garantir que essa mesma visita seja intensificada…” pág. 129 do EIA
O Resumo Não Técnico pode ser consultado em:
http://dramb.gov-madeira.pt/berilio/berwpag0.desenvctt?pCtt=2000
O EIA pode ser consultado na Direcção Regional de Ambiente. (O facto do prazo de consulta já ter terminado apenas significa que as opiniões dos cidadãos já não serão acolhidas, mas a consulta continua a poder ser feita.)
A premissa do aumento do número de visitantes não é errada e pode ser facilmente demonstrada. Considerem-se os seguintes dados iniciais fornecidos pelo EIA:
• Capacidade máxima de transporte (em cada direcção, sentados) – 180 passageiros/hora
(Esta capacidade poderá ainda ser expandida até 260 passageiros/hora)
• Número médio diário de visitantes, actualmente – 320
Num cálculo por defeito, conceda-se que o teleférico funcione apenas com metade da sua capacidade máxima – 90 passageiros/hora. Em apenas 3 horas e meia de funcionamento, transportaria um nº de visitantes equivalente ao nº médio diário de visitantes verificado actualmente! Mesmo a meio gás, o teleférico transportaria, por dia, o dobro do nº médio actual de visitantes e ultrapassaria folgadamente os valores de pico que ocorrem actualmente (estimados entre 400 a 500 visitantes) às 3ª e 5ª - feiras, devido às excursões turísticas!
Para organizar e escalar os operadores turísticos não é necessário construir um teleférico. Basta um pouco de análise e compreensão dos factos, aliado a simples bom senso!
Quanto a “condicionar os acessos”, convenhamos que “pôr uma espécie de cancela” fica muito mais barato!
Quando os responsáveis por uma empresa a quem foi adjudicada uma obra nem sequer lêem o EIA do respectivo projecto, que garantias podem dar, à administração do ambiente e aos cidadãos, de que cumpririam as medidas de minimização impostas, no caso de uma hipotética mas improvável decisão favorável?
Cristina Gonçalves